Criança entediada: isso é problema ou oportunidade?
Se você já ouviu a clássica frase “tô entediado(a)!” vinda do seu filho, saiba que você não está só. Para muitos pais e mães, esse momento gera uma sensação imediata de preocupação, como se fosse necessário resolver o “problema” rapidamente com alguma atividade, brinquedo ou distração.
Mas e se o tédio não for um problema? E se, na verdade, ele for uma parte essencial do desenvolvimento infantil? A verdade é que o tédio pode ser uma grande oportunidade tanto para a criança quanto para os adultos que a acompanham.
Por que o tédio é importante para as crianças?
Vivemos em uma era de estímulos constantes, já que telas, brinquedos com múltiplas funções, agendas cheias e entretenimento imediato fazem com que as crianças raramente precisem “criar” algo por conta própria. E é justamente aí que o tédio entra como um elemento positivo.
Quando a criança não tem nada pronto para fazer, ela é “forçada” a:
- usar a imaginação;
- explorar o ambiente;
- inventar brincadeiras;
- desenvolver autonomia;
- lidar com pequenas frustrações.
Essas são habilidades fundamentais para o desenvolvimento cognitivo e emocional. Ou seja: o tédio é o ponto de partida da criatividade.
O erro mais comum dos pais
Diante do tédio da criança, muitos pais entram automaticamente no modo “resolver”. Isso geralmente envolve sugerir várias atividades, dar um brinquedo novo, se apoiar nas telas ou até mesmo assumir o papel de inventar algo que possa divertir.
Porém, essa atitude pode gerar um efeito contrário, já que a criança passa a depender sempre de estímulos externos para se ocupar. Com o tempo, ela perde a capacidade de iniciar brincadeiras sozinha, algo essencial para o desenvolvimento da autonomia.
O que fazer quando seu filho diz “estou entediado”?
Uma coisa importante ao ouvir a frase acima é tentar encontrar a forma correta de responder a esse apelo, em vez de enxergar isso como um problema. Algumas estratégias simples são:
1. Não resolva imediatamente
Dê espaço para que a criança pense. Um simples “o que você acha que pode fazer?” já estimula o raciocínio.
2. Valide o sentimento, sem intervir
Você pode dizer algo como: “Às vezes a gente fica entediado mesmo… acontece.”. Lembre-se que ao fazer isso você acolhe a criança, mas sem criar dependência de atividades.
O papel dos brinquedos nesse processo
É importante entender: o objetivo não é eliminar o tédio com brinquedos, mas sim oferecer ferramentas para que a criança crie suas próprias brincadeiras.
Alguns tipos de brinquedos são especialmente bons para isso.
Brinquedos abertos (sem “regra fixa”)
Brinquedos que permitem múltiplas formas de uso estimulam muito mais a criatividade. Um bom exemplo é o Kit Tesouro Sensorial, pois permite aos pequenos experimentar sensações diferentes na ordem em que desejar.
Brinquedos simbólicos (faz de conta)
Aqui entram itens como cozinhas de brinquedo, bonecos, kits de profissões ou cenários, como os que apresentamos em nossos Mini Mundos e Micro Mundos. Eles ajudam a criança a recriar situações do dia a dia, elaborar emoções e inventar histórias.
Menos estímulo, mais criatividade
Pode parecer contraditório, mas crianças que têm acesso a estímulos em excesso tendem a se entediar mais rapidamente. E o motivo para isso é simples, já que elas se acostumam com recompensas imediatas.
Já quando existe um equilíbrio, ou seja, com momentos de “não ter o que fazer”, a criança aprende a:
- explorar melhor o ambiente;
- persistir em atividades;
- criar soluções próprias.
O tédio também ensina a lidar com frustração
Outro ponto importante: o tédio ensina a criança a lidar com o desconforto, já que nem sempre as coisas serão interessantes ou divertidas o tempo todo, e tudo bem.
Aprender a passar por esses momentos sem depender de distrações constantes é uma habilidade valiosa para a vida adulta.
Quando o tédio pode ser um sinal de atenção?
Apesar de positivo, é importante observar alguns pontos. Se a criança demonstra desinteresse constante por tudo, não consegue se envolver em nenhuma atividade ou depende sempre de telas para se entreter, pode ser um sinal de excesso de estímulo ou falta de repertório de brincadeiras.
Nesse caso, vale a pena:
- reduzir o uso de telas;
- variar os tipos de brinquedos;
- brincar junto em alguns momentos para “ensinar caminhos”.
Conclusão
O tédio não é um inimigo, é um espaço onde a criança pensa, cria, testa, erra e descobre.
Ao invés de preencher todos os momentos com atividades, permitir esse “vazio” pode ser uma das melhores coisas que você faz pelo desenvolvimento do seu filho.
Com os estímulos certos, esse tempo deixa de ser um problema e passa a ser um verdadeiro motor para a imaginação.
